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Política

Deu no Noblat. Fenômeno Rafael já é uma liderança nacional

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É do Piauí uma nova liderança em ascensão no Brasil. Trata-se do governador Rafael Fonteles (PT), eleito em 2022 com 37 anos. Foi eleito no primeiro turno, com 57,17% dos votos válidos, liderando um amplo arco de alianças com o PCdoB, PV, MDB, PSD, Solidariedade, PSB, Pros e Agir. Uma espécie de Frente Ampla regional.

Fonteles foi eleito na trilha aberta por Wellington Dias (PT), dando seqüência a uma hegemonia política de 20 anos. Matemático com mestrado no prestigioso Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), ele articulou uma equipe de governo de alto nível e é considerado um político jovem de perfil empreendedor.

Suas políticas públicas têm o foco no progresso e no emprego e renda. Inspirações iluministas, dizem formadores de opinião do Piauí. Nesta toada, tem mais de 80% de aprovação. No final de 2023, pesquisa do Instituto Datamax cravou 86,79% de aprovação da sua gestão.

Sua ênfase na gestão é a criação de um estado moderno e digital. Incentiva o agronegócio na perspectiva de agregar mais valor com o estímulo às agroindústrias. O Piauí não tem tradição de indústrias e, com apenas 3,2 milhões de habitantes, tem um mercado de consumo limitado. Daí o caminho de agroindústrias para o mercado nacional e internacional – na trilha da ampla fronteira agrícola da chamada região de “Matopiba”.

Além da agroindústria, Fonteles mira o grande potencial de energia eólica e solar do Piauí para a produção de hidrogênio verde: foco em energia limpa e renovável, na fronteira do mundo ESG. Nestes dias, esteve na Europa para assinar Protocolos de cooperação de produção de hidrogênio verde. Mira também a exportação.

“Fonteles pensa grande e pra frente”, me disse uma liderança de Teresina. A mesma liderança enxerga com preocupação o seu afastamento de Wellington Dias. Torce para uma reconciliação ali na frente, e não para mais uma saga do velho problema do criador e da criatura.

Jovem ainda na política, diz essa liderança, Fonteles vai ver que a sua hegemonia passa pela manutenção da aliança com Dias. Ainda mais porque a liderança de Ciro Nogueira estaria em declínio, segundo ele.

Para além do varejo político, o governador Rafael Fonteles é visto como um fenômeno político no Piauí também no meio empresarial. Conseguiu crescer eleitoralmente até em Teresina, onde o PT nunca elegeu prefeito. Agora, está refazendo alianças com o ex-governador Wilson Martins e com o PDT. Mira uma consolidação da sua hegemonia a partir das eleições de 2024, incluindo Teresina.

Arguto observador da cena política brasileira, José Dirceu esteve a poucos dias no Piauí. Lá, declarou a Tv Meio Norte que o fortalecimento das “jovens lideranças” em todo o Brasil é uma prioridade para o PT. E citou nomes como o do governador do Piauí. Além de outros jovens, como o prefeito de Recife, João Campos (PSB), e o ministro Renan Filho (MDB).

Enfatizando que “o Nordeste tá andando”, Dirceu chamou a atenção da mídia também para outras lideranças em ascensão nacional, como Camilo Santana, Wellington Dias, Elmano de Freitas, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. Para além do foco da grande mídia, concentrado em lideranças do sudeste e do sul do país.

Tudo somado, o Brasil pode estar caminhando para 2026 e 2030 – “logo ali” no tempo histórico – com boas perspectivas de renovação de lideranças políticas. A conferir.

Fonte: Metrópoles / Blog do Noblat / Texto: Antônio Carlos de Medeiros – Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science

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